Transportadores vão à Justiça contra rodízio para caminhão

Uma guerra de nervos que vai ter desfecho na Justiça. Pode ser resumido assim o embate entre prefeitura e empresários do setor de transporte na semana que antecede a implantação do rodízio de placas para caminhões nas marginais e avenidas de grande movimento de carga em São Paulo

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Uma guerra de nervos que vai ter desfecho na Justiça. Pode ser resumido assim o embate entre prefeitura e empresários do setor de transporte na semana que antecede a implantação do rodízio de placas para caminhões nas marginais e avenidas de grande movimento de carga em São Paulo. A Secretaria Municipal de Transportes edita amanhã o decreto que dá início ao rodízio na próxima segunda-feira, dia 28.
O presidente da NTC&Logística (entidade que representa cerca de 3,5 mil associados, entre síndicatos e associações em todo o País), Flavio Benatti, afirmou que o departamento jurídico da entidade já está mobilizado para avaliar o decreto assim que for publicado no Diário Oficial do Município. “Vamos entrar com mandado de segurança para garantir a passagem de caminhões por São Paulo”, afirmou.
Para Benatti, a capital paulista não oferece outra possibilidade de tráfego para o trânsito de passagem. “Não há vias alternativas. O Rodoanel que seria a solução ainda não está pronto. A restrição significa um claro prejuízo para as empresas e transportadores”, afirmou.
O secretário municipal de Transportes de São Paulo, Alexandre de Moraes, afirmou, ontem pela manhã, que a prefeitura não volta atrás no rodízio para os caminhões a partir de segunda-feira. “Nós vamos agora partir para a terceira etapa. Para o caminhoneiro não ter nenhuma dúvida, o mesmo rodízio dos veículos, hoje também é para os caminhões, para todos.”
Como os automóveis, caminhões ficam restritos de circular entre as 7h e às 10h da manhã conforme o final da placa. O rodízio também vale para o período das 17h às 21h. O infrator está sujeito a multa de cerca de R$ 100 na primeira autuação.
Desde março, a Prefeitura de São Paulo vem adotando medidas para mudar a fluidez do trânsito em São Paulo, que, em consequência do aumento da frota de veículos, vem batendo seguidos recordes de congestionamentos.
Na primeira fase, a prefeitura anunciou ampliação de avenidas e corredores de ônibus, restrição a estacionamentos e rigor na fiscalização, com implantação de equipamentos que ajudem a fiscalizar o trânsito. Há um mês, limitou o tráfego de caminhões médios e pequenos numa área de cem quilômetros quadrados no centro expandido.
“Nós completamos hoje (ontem) quatro semanas de operação da zona máxima de restrição de caminhões, com resultados altamente expressivos. A média continua entre 40% e 30% no horário de pico, comparado férias com férias. Então, realmente, mesmo aqueles críticos de plantão, ou especialistas em generalidades de plantão, pararam de criticar porque é inegável, a olho nu se verifica a melhoria da retirada, desta restrição de caminhões”, afirmou Moraes.
Adalberto Panzan, presidente da Associação Brasileira de Logística (Aslog), afirmou que muitas empresas não têm condições de evitar a passagem por São Paulo. “Há autopeças em Osasco que abastecem as montadoras no ABC. É a operação just-in-time, que, se não for feita, compromete toda uma escala de produção.”
Flávio Benatti afirmou ainda que cargas do setor agropecuário não podem retardar ou antecipar horários para se enquadrar no rodízio. “Por falta de silos ou horário de atracação dos navios, o caminhão acaba se constituindo num meio de estocagem. O secretário não pode desconsiderar todas estas variáveis”, disse.
Para o presidente da NTC&Logística, poderá haver um caos na segunda-feira pela manhã com o acúmulo de caminhões nos acostamentos das vias que dão acesso a São Paulo. “Só o sistema Anchieta-Imigrantes, recebe 500 carretas no período das 7h às 10h. Não há estacionamento apropriado. Estamos prevendo um caos.” 

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