Motoboys trabalham mais devido à greve dos Correios

Segundo sindicato, procura registrou aumento entre 30% e 40% em São Paulo. Nas regiões de Belo Horizonte e do Recife, empresas também recorrem aos motociclistas

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Artigo: Qualidade acima de tudo

A greve dos Correios completou 18 dias nesta sexta-feira última (18) e, com isso, cresceu a procura pelo serviço de motoboys em diversas cidades do país. Algumas empresas contratam os profissionais para realizar as entregas de encomendas e boletos, preocupadas com o atraso causado pelo protesto dos funcionários da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT).

O sindicato dos motoboys de São Paulo, o Sindimoto-SP, notou um crescimento entre 30% e 40% em julho comparado com o mês anterior. “Muitas pessoas que não usavam, passaram a solicitar o serviço. Sabemos, no entanto, que é uma procura passageira”, afirma o presidente da entidade, Aldemir Martins, conhecido como Alemão.

De acordo com ele, os motociclistas que não são autônomos têm reclamado de uma sobrecarga das entregas. “Aqueles que são contratados de determinadas empresas passaram a ter um ritmo ainda mais acelerado de trabalho”, diz.

Segundo Martins, a orientação do sindicato é para que eles realizem as entregas normalmente. “Há empresas que dão uma carga maior de trabalho e cobram agilidade. Eles devem efetuar as atividades normalmente, para não colocar suas vidas em risco”, afirma.

Outros estados

A procura pelo serviço também cresceu na região de Belo Horizonte. Segundo José Gelvar Viana, presidente do Sindeeco-MG, sindicato das empresas de motoboys do estado, o aumento registrado desde o início da greve foi entre 15% e 20%. “Somos procurados por empresas que usam o serviço dos Correios para entrega de boletos e notas fiscais”, afirma Viana.

Na Região Metropolitana do Recife, a busca pelo serviço está sendo notada desde sexta-feira (11), segundo Romeu Coutinho, do Sindimoto-PE. “Empresas que só usavam os Correios, agora têm nos procurado”, afirma.

Atrasos

A greve começou em 1º de julho. Pelo menos 108 milhões de cartas e encomendas já deixaram de ser entregues por causa da paralisação. Os funcionários querem adicional por periculosidade, além da revisão no plano de carreira e no programa de participação nos lucros.

Segundo os Correios, o adicional de risco foi pago como abono durante seis meses, como previa o acordo com os trabalhadores. A empresa afirma que pratica a distribuição de lucros conforme a legislação vigente.

Na quinta-feira passada, os Correios protocolaram uma reposta à proposta apresentada pelo presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Rider Nogueira de Brito, com o objetivo de suspender a greve. Os funcionários chegaram a discutir uma contraproposta, mas só devem formalizar as respostas na manhã desta sexta-feira. O impasse continua. 

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