“Frota ‘pirata’ é o verdadeiro vilão do trânsito de São Paulo”

Para Fernando Abrahão Zerati, consultor de Transportes e Logística, o problema do trânsito de São Paulo não encontrará resolução na restrição ao tráfego de caminhões no Centro Expandido

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Para Fernando Abrahão Zerati, consultor de Transportes e Logística, o problema do trânsito de São Paulo não encontrará resolução na restrição ao tráfego de caminhões no Centro Expandido. Segundo ele, um dos problemas mais graves para a mobilidade urbana da Capital Paulista é a existência de uma frota “pirata”.

Ele ressalta que a medida de combater os motoristas com veículos irregulares seria impopular e não atrai a vontade política dos governantes: “Para resolver o trânsito de São Paulo, uma das principais soluções seria a retirada dos 35% de veículos particulares que estão irregulares (não pagam IPVA, multas, licenciamentos, e que não respeitam as leis mais básicas do trânsito seguro). Porém, esta medida não é ”eleitoreira”, apesar de ser duas vezes mais eficiente do que o próprio rodízio municipal. Então resta à prefeitura restringir a carga, pois ela não vota.

Enquanto a sociedade não perceber que além dos impostos que ela já paga, algumas leis forçam mais custos adicionais aos produtos consumidos, a tendência é que decretos como estes continuem a surgir”, diz Zerati, que já participou de diversos estudos sobre a mobilidade urbana em São Paulo.

O consultor Fernando também considera que o impacto das restrições nos custos das empresas e, conseqüentemente, nos preços finais dos produtos comercializados na Capital, é maior do que foi divulgado por entidades do setor. “As entidades do setor realizaram estudos que resultam em um aumento de custo da ordem de 13% desde que todas as operações fossem realizadas à noite. Porém, a realidade será outra. A maior parte dos estabelecimentos recebedores de carga não terá condições de receber seus produtos à noite, forçando os transportadores a contratarem mais agregados, comprarem mais veículos pequenos para entregar durante o dia. As empresas terão um aumento de custo para operar diuturnamente de aproximadamente 45%”, explica Fernando.

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